Banca 40, do Centro para a Padre Chagas, 44.

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A octogenária Banca 40, do Mercado Público, agora também é

 Banca 40 Moinhos de Vento!banca 40 Moinhos 4

Algum tempo atrás, num sábado pela manhã, Tia Nastácia e Dona Benta, muito novidadeiras, conversaram com João Bonnel Júnior, sócio da empresa, e Artur Gonçalves, gerente da então futura unidade Moinhos de Vento, para descobrirem o que estava por vir, e prometeram que lançariam este post assim que a banca 40 estivesse na rua Padre Chagas.
 Agora, é realidade, a Banca 40 já está de “portas escancaradas”, colorindo um pouco mais a paisagem  de  uma zona nobre porto-alegrense , a calçada da fama...
Então, promessa cumprida.

 História

Nascida em 6 de janeiro de 1927, localizada na área central de um dos marcos culturais, comerciais e arquitetônicos de Porto Alegre, a Banca 40 teve sua história construída em paralelo com a do Mercado Público. O estabelecimento surgiu há 88 anos, quando o padeiro português Manuel Maria Martins, dono de uma chácara em Guaíba, comprou uma fruteira no Mercado e passou a vender a própria produção. À época, a logomarca era uma maçã.

No verão, ele começou a fazer salada de frutas com sorvete batido à mão, de forma artesanal. Desde então, a banca passou a ser conhecida pelos sorvetes e pela salada de frutas— até 1945. Nesse ano, refugiados da II Guerra Mundial instalaram-se em Porto Alegre e passaram a freqüentar o Mercado Público. Quando iam ao estabelecimento do “seu Manuel”, pediam para acrescentar nata aos produtos. Como os pedidos eram muitos, a iguaria passou a fazer parte do cardápio. Surgiu a Bomba Royal, até hoje o produto mais lembrado da Banca 40. São três sabores de sorvete, somados às frutas e, claro, generosa poção de nata leve e batida.

Em suas quase nove décadas de história, a Banca 40 passou por três incêndios (1972, 1979 e 2013), uma enchente (em 1941) e uma restauração completa do Mercado Público.

banca 40 Mercado 1

Afeto, memórias e lembranças familiares

Muitos são os relatos quer demonstram a presença desta empresa tão tradicional na vida dos gaúchos, separei um em especial, da minha querida amiga gaúcha Natália Ferreira, relações públicas, que atualmente mora em Puente la Reina, na Espanha, onde administra o Albergue Estrella Guia, vejam:

“Banca 40 da minha vó, da minha mãe, minha e do meu filho.
E lá se vão quatro gerações conectadas, refrescadas e animadas como um sorvete pode ser, ou melhor, como a Bomba Royal é na nossa vidinha. Minha vó levava minha mãe desde os 15 anos, lá na década de 50. Quando ficou grávida, tinha desejo de Bomba Royal e com nove meses de gravidez era o programa de final da tarde, se esbaldar na Banca 40.
Eu também ia com a minha vó, que tinha uma máxima: três bolas de sorvete aliviam qualquer tristeza. E lá a gente ia se alegrar às pencas.
Quando engravidei, mantive a tradição. O desejo da minha mãe e o ânimo da minha vó me preencheram, e lá foi mais uma gravidez regada a Bomba Royal, muito Mercado Público e motivo de sobra pra ver alegria tomar forma.
Meu filho nasceu, nem caminhava e já se lambuzava de nata com frutas – era uma atração à parte. O que mais marcou foi essa conexão familiar bem humorada com esse lugar maravilhoso.”
Natalia Ferreira, relações públicas.
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Super-Bomba-Royal, será que os elegantes da Padre Chagas vão enfrentar esta delícia?
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Tradicional, a Banana Split sempre saborosa!

Nova administração, novos rumos e horizontes

Quando o grupo de sócios (Juliana Lança da Cunha, Carlos Heitor Bastos e João Bonnel Júnior) assumiu a Banca 40, no Mercado Público de Porto Alegre, em 2011, compraram-na de Madalena, a terceira e última na sucessão da família Martins,  e o grande desafio foi manter a tradição enquanto modernizavam processos, principalmente para atender a exigências sanitárias e de segurança. Foi contratada uma nutricionista, os dois sorveteiros passaram por cursos profissionalizantes, a cozinha foi reformada, novo maquinário foi comprado, toda parte dos fundos foi modificada e a fachada ganhou traços mais modernos — a logomarca, que antes era caracterizada por uma maçã passou a valorizar o número da banca, na época, os arquitetos Lisete e Carlos Jardim reestruturaram o espaço. O quadro de funcionários aumentou: são mais de 30, entre cozinha, administração e atendimento. João Júnior explicou que a reformulação era urgente por dois motivos: o público fiel estava envelhecendo, era necessário alcançar os mais jovens. Além disso, as refeições oferecidas (basicamente, sorvete, pastel e xis) eram pouquíssimo consumidas antes do horário de almoço, o que fazia com que a banca ficasse praticamente parada por quase cinco horas. Para superar estes desafios, oferecemos café da manhã com pão integral e sucos, no almoço temos frango, saladas, enfim aumentamos a gama de produtos, diz Junior. “No inverno, tivemos a ideia de fazer um festival de sopas, porque precisávamos trazer um público que não viria por causa do sorvete.”

Quando o produto vai buscar o consumidor

João Bonnel Júnior, o sócio-gerente, afirma que as mesmas receitas são usadas até hoje, pois a tradição do produto é o que mais caracteriza a Banca 40.

— O público queria mais espaço e manifestava vontade de consumir o produto fora do Mercado. A ampliação das fronteiras surgiu de uma oportunidade de negócio que casou com a demanda da freguesia.

A proposta, segundo ele, é manter os mesmos serviços e itens do cardápio, com algumas adaptações.cardápio banca 40

Os proprietários estudam fazer pequenos ajustes nos preços para cobrir os gastos com a logística, já que toda a matéria-prima virá da loja  matriz, no Mercado Público.  Os produtos como a Bomba Royal, a Salada de Frutas, o Caldo de Frutas,  a Banana Split, a Taça Revolução Farroupilha, os diversos sabores de sorvete, estarão lá para deliciar os clientes.

banca 40 3

União de esforços

Seguindo a tendência do movimento encampado pela Temakeria Japesca e Café do Mercado, que já possuem inúmeras unidades fora do Mercado, a Banca 40 leva para a Padre Chagas mais do que um serviço: por muitos anos, a banca foi símbolo de um consumo glamouroso no Centro de Porto Alegre, e ainda hoje, é sinônimo de turismo e lazer para gaúchos de várias gerações.

Nas prateleiras da nova casa, deverão constar produtos como café moído na hora e peixe cru, atrativos para o público daquela região. Além das frutas, do sorvete artesanal, da nata, do caldo de frutas, dos lanches, refeições leves e tudo mais do farto cardápio, a Banca 40 vai ter Temakeria Japesca e o Café do Mercado, para atender ao gosto do público de todas as idades. a parceria com os arquitetos Lisete e Carlos Jardim foi mantida e um novo projeto está em andamento.

 

Equipe e treinamento

Artur Gonçalves, que será o gerente da Banca 40 Moinhos, acredita que uma equipe bem treinada, um atendimento atencioso, e a manutenção das características dos sorvetes artesanais vão conquistar o público freqüentador da região mais badalada de Porto Alegre. Gonçalves aposta na simplicidade como ingrediente para cativar a nova clientela:

– A Padre Chagas vai ganhar muito com a nossa tradição. É nisso que apostamos.

Na unidade do Moinhos irão trabalhar 25 funcionários, eles foram treinados, na loja do Mercado Público, para aprender os segredos da casa.

Como ficou a nova Banca 40

Situado na primeira quadra da rua mais badalada do Moinhos de Vento, o novo espaço tem cerca de 400 metros quadrados (100 metros quadrados a mais do que a primeira sede) e ocupa um prédio de dois andares, tem  deck de madeira e funcionará de segunda a sábado, no horário das 8h às 20h, e  no verão, provavelmente, vai até mais tarde.

Vejam o projeto:     banca 40 Moinhos

e vejam como ficou o interior da Banca 40 Moinhos:
banca 40 Moinhos 2

O que diria agora (se vivo fosse) o Seu Martins, fundador em 1927 dabanca 40? …para ler com sotaque português, com certeza…

“Mas, ó rapaz, quando pretendes abrir uma banquinha 40 em Gramado? Em Santa Maria? Em Caxias do Sul? Veja bem ó gajo, não vais me demorar mais 80 anos, Ó pá!!!.”

 Banca 40 Moinhos de Vento – Rua Padre Chagas, 44.
De segunda a sexta feira das 8 às 20h e sábados das 9 às 20h.

Publicado por

Nastacia e Benta

Tia Nastácia com habilidades mágicas na cozinha, uma profunda conhecedora dos sabores e das tradições populares do Brasil , frita bolinhos de chuva, assa biscoitos, cozinha lentamente a geleia feita com as jabuticabas plantadas no quintal. Foi de suas mãos que surgiu a a irreverente, tagarela e espevitada boneca de macela Emília. Já D.Benta é uma mulher idosa, avó de Narizinho e Pedrinho. Dona do Sítio do Pica-Pau Amarelo, ela se diverte muito com os conflitos das tramas infantis. Muito sabida, sempre ensinando coisas novas aos netos e informando-os sobre a cultura do Brasil e do mundo.

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