Diferenças entre champagne (champanhe), espumante e frisante. Tin-tin! Saúde!

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Pessoas que não conhecem vinhos costumam classificar genericamente como champanhe ou como espumante qualquer vinho que produza borbulhas. E isso acontece muito mais do que se imagina.

No entanto, existem diferenças básicas entre eles, sendo cada um denominado segundo alguns princípios conhecidos há séculos pelos apreciadores dos produtos provenientes da uva.

Vamos então conhecer as diferenças entre as bebidas mais freqüentes nos “tin-tins” de Natal e fim de ano.champ

Até porque fica mais fácil na hora de comprar, para levar o que mais agrada ao seu paladar e ao seu bolso.

 

 

Champagne

 A palavra champagne é um derivado da palavra latina campagnia, uma região campestre localizada ao norte de Roma. O verdadeiro champagne tem origem exclusivamente na região de Champagne, situada a 150 quilômetros de Paris.

O champagne é um vinho espumante, o espumante original feito com uvas e fermentado naturalmente e leva o nome de sua região de nascimento Qualquer outra parte do mundo pode produzir, e de fato produz, vinhos espumantes. No entanto, somente os que vêm da região de Champagne podem ser chamados assim.

Esta antiga província histórica produz igualmente os vinhos chamados “tranquilos” (não-espumantes) que levam denominações diferentes, como tintos, brancos ou rosados e são produzidos nas cidades de Bouzy, Virtudes, Damery. No entanto, a região de Champagne produz, em grande maioria, vinhos espumantes (brancos ou rosados) chamados simplesmente de champanhe, sem mais especificações.

O Champagne, junto com o Xerez e o Porto, é um dos vinhos de produção mais complicada do mundo. Envolve inúmeras e trabalhosas etapas.

E o mais tradicional de todos o champanhe ou champanha (em francês champagne) é um vinho branco espumante, produzido através da fermentação da uva (uma espécie ou várias).

Trata-se de um vinho fino, com uma das produções mais complicadas e elaboradas do mundo vinícola, envolvendo diversas etapas. O vinho é fermentado naturalmente, obedecendo algumas regras: somente as uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier podem ser utilizadas na fabricação e precisam ter os cuidados específicos para serem levados ao consumo.

champagne-ardenne

Portanto: todo champagne é um vinho espumante, mas nem todo vinho espumante é champagne.

 Espumante

Os vinhos espumantes são produzidos em quase todos os países vinícolas, sendo que a maioria deles são elaborados através dos métodos criados e utilizados na França para feitura de seus espumantes, fazendo com que surgissem diferentes tipos de espumantes em outros países.

Os espumantes sofrem duas fermentações naturais. A primeira é a alcoólica, comum de todos os vinhos, que transforma o açúcar da uva em álcool e que ocorre em tanques ou barris de carvalho. A segunda, onde o espumante adquire a efervescência, tanto pode ocorrer em tanques de aço inox pressurizados (método charmat) como podem ser feitas na própria garrafa (método champenoise ou tradicional/clássico).

No processo charmat, a segunda fermentação ocorre dentro dos tanques de inox, que resiste a pressão, conhecida como autoclaves. No processo champenoise, também chamado de método tradicional, a segunda fermentação ocorre dentro da própria garrafa. O espumante é colocado em pupitres para iniciar o remuage, visando a sedimentação das borras no gargalo.

O espumante resultante destes dois métodos irá se diferenciar por características organolépticas, tais como cor, sabor e paladar.

Mas há alguns parâmetros que são válidos para os dois: O teor alcoólico do espumante deve ser entre 10 e 13% em volume. O anidrido carbônico (“bolinhas” ou perlage) deve ser proveniente exclusivamente da fermentação (não pode ser adicionado), e sua concentração deverá ser de 4 atmosferas à 20°C.

Por isso, se não tivermos cuidado ao abrir a garrafa de espumante, ou se deixarmos a uma temperatura muito elevada, é que o líquido vai ser projetado para fora com tanta força.

E quanto à quantidade de açúcar presente no espumante, este pode ser denominado de:

 Denominação  Açúcar
Extra brut 0g a 6g
Brut 6g a 15g
Sec / Seco 15g a 20g
Demi-Sec (Meio Seco-Meio Doce) 20g a 60g
Doce mais de 60g

Os tipos são:

– Asti: elaborado com a uva Moscato, é um vinho espumante adocicado, de baixo teor alcoólico, muito exportado. Ao contrário do Champagne, que utiliza o método tradicional champenoise (com segunda fermentação na garrafa), e de outros espumantes que utilizam o método Charmat (com segunda fermentação em tanques de aço inox), a produção do Asti é feita mediante uma única fermentação em tanques com retenção do gás carbônico liberado. A fermentação é interrompida, por resfriamento, quando os teores adequados de álcool (7-9o GL) e açúcar (3,5%) são atingidos.

– Cavas: espumantes produzidos na Espanha, principalmente na Catalunha, e Penedés, região que se responsabiliza por 99% da produção do país. A região costeira, com um suave clima mediterrâneo, ao norte tendo um clima subcontinental, videiras localizadas próxima à costa, altitude com menos de 200 metros acima do nível do mar e boa influência marítima.

– Prosecco: região vinícola demarcada localizada no Veneto, norte/nordeste da Itália. Produz vinhos brancos e principalmente espumantes nas sub-regiões de Valdobbiadene e Conegliano. Durante anos, a palavra  prosecco foi utilizada para designar a uva (cujo nome original é Glera) empregada na elaboração destes vinhos.

O país patenteou e o termo ‘prosseco’ somente pode ser usado na produção italiana, exclusicamente nas regiões de Friuli e Veneto. Diferentemente dos champagnes e dos cavas, os proseccos são elaborados pelo método charmat, onde a segunda fermentação ocorre em grandes tanques de aço inox e não na própria garrafa.

– Sekt: nome genérico dos vinhos espumantes da Alemanha, que geralmente possuem uma doçura típica da fruta. O sekt do tipo seco é chamado de trocken.

Frisante

É um vinho com pouco gás carbônico, apesar deste elemento surgir naturalmente do processo de fermentação da uva. Geralmente, possui a metade da quantidade de gás-carbônico presente nos espumantes.

Nos vinhos frisantes o método de obtenção das bolhas, podem ser tanto por um processo natural quanto artificial. A diferença entre o os espumantes e os frisantes é que os vinhos frisantes sempre terão menor nível de gás carbônico.

Fermenta somente uma vez, e a partir dessa fermentação obtém o gás carbônico. Normalmente é um vinho menos gaseificado e sem espuma.

Os mais conhecidos frisantes são os produzidos na Itália, conhecidos como lambruscos. O tipo lambrusco é um vinho frisante e não espumante, ou seja, tanto a fermentação alcoólica quanto a toma de espuma ocorrem no mesmo processo

De fato, o Lambrusco não possui aquela cremosidade dos Champagnes e nem tantas bolhinhas como o Prosecco.

Espumantes, mais gás e mais espuma.

champ borbulha

 

 

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Frisante, menos gás e sem espuma.

 

 

 

Frisantes e espumantes são vinhos fermentados e mantidos com o próprio gás produzido na fermentação.

 

Sidra

É a bebida preparada a partir da fermentação do suco da maçã. Nasceu na Europa, provavelmente na Inglaterra, e ainda hoje é apreciada por lá e por aqui.

Bem gelada, a bebida fermentada de maçã que tem jeito de cerveja e estilo de vinho espumante.

É importante lembrar que as sidras, muito populares no Brasil, são bebidas com gás carbônico inserido artificialmente, e não produtos de fermentação, não podendo, portanto, serem consideradas nem frisantes e nem espumantes.

Cinco anos atrás, com exceção das oferecidas por alguns poucos produtores, era difícil encontrar sidras secas. A maioria das sidras americanas era adoçada de modo a agradar uma clientela que prefere bebidas enjoativas. Felizmente, o público das sidras secas tem crescido, já que, tal como a cerveja, o conteúdo de álcool dessas bebidas varia bastante, de cerca de cinco até oito por cento.

A sidra foi esnobada por muito tempo, mas está vivendo uma fase de ampla popularidade pelo mundo. Se na Europa ela é velha conhecida, principalmente no País Basco, no Reino Unido e na região francesa da Normandia, nos últimos tempos vem conquistando também o Novo Mundo. Há sidrerias, principalmente artesanais, sendo instaladas em países como Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos.

Os americanos, aliás, adotaram de vez a sidra. Em 2013, foi a bebida que mais cresceu no país – ultrapassando até o acelerado mercado das cervejas artesanais.

Hoje a variedade de rótulos começa a crescer no Brasil – a bebida não tem nada a ver com aquela, de marca única, que manchou a reputação da sidra por aqui em outros Natais. Em um post próximo, vamos tratar mais a respeito das sidras.

Manual da sidra

  1. A temperatura indicada para servir a sidra deve ser entre 8°C e 12°C. Mas, neste calor, pode gelar mais.
  2. Sidra com “s”? Pois é. Apesar de ser grafada em outros idiomas com “c” (cidre, do francês, ou cider, no inglês), em português é sidra. Cidra é outra coisa, é a fruta cítrica que dá ótima compota – ou aquela outra sidra que deixou muita gente de ressaca no final de ano.
  3. Sidra é quase sempre feita de maçã, mas pode também ser feita com outras frutas semelhantes, geralmente a pêra. Também há produtores que juntam as duas frutas para fazer outras bebidas fermentadas.

Filtrado Doce

É elaborado a partir de uvas americanas e híbridas, por isso seu sabor adocicado e pouco complexo. Os filtrados não fermentam em garrafa. O gás carbônico presente na bebida é inserido artificialmente, no engarrafamento.

O Filtrado Doce é uma bebida proveniente do mosto de uva, parcialmente fermentado ou não, podendo ser adicionado de vinho de mesa. Não é considerado vinho por que este é exclusivamente a bebida proveniente da fermentação da uva sã, fresca e madura. Além disso, tem uma graduação alcoólica bem baixa, de no máximo 5% em volume. A presença das “bolinhas” também pode se dar através da adição de anidrido carbônico em até 3 atmosferas. Sua concepção original vem da Itália. Mas do produto original pouco sobrou.

E então…..como escolher?

Os Espumantes são muito vistos em festas como fim de ano, ficam muito bem com a estação mais quente do ano, pois são bem refrescantes, transmitindo assim, uma ótima sensação. A escolha entre o espumante é  muito comum em Natal e no Réveillon, porque ele também tem uma melhor harmonização com todos os pratos, por isso pode acompanhar desde o aperitivo até a sobremesa, sem medo de errar.

Os Proseccos são mais abusados, pois possuem uma cor  muito atraente e são muito bem perfumados, o que destaca ainda mais suas abundantes e finas borbulhas que lhe agregam um paladar fantástico e um aroma mais frutado. Acompanham muito bem canapés, carnes brancas e frutos do mar.

O Lambrusco possui um aroma absurdamente agradável e persistente. Ele é mais frutado, fresco e vivaz. Uma excelente escolha para um dia-a-dia festil. Ideal para acompanhar massas com molhos leves.

As sidras podem acompanhar doces, queijos cremosos leves, canapés com agridoces.

E aí, já decidiu?

champ taçasDica: qualquer que seja sua escolha, sempre bem gelada e em taças tipo flute ou tulipa, como acima.

Veja opções de receitas de drinks no post Drinks de Espumantes publicado neste blog.

E seja feliz!

Bebidas alcoólicas são proibidas para menores.
 Se beber, não dirija.

 

Fontes
Tudo sobre Champanhe e Espumantes, Aguinaldo Zackia Albert, Ed Senac.
Tintos & Brancos, Saul Galvão, Ed. Conex.
Como degustar vinhos, Jancis Robinson. Ed. Globo.
Nem tudo que borbulha é ESPUMANTE. Bento Gonçalves: IBRAVIN Bruch, Kelly Lissandra., 2009. 9 p.
Lei do Vinho – Lei n. 7.678/1988 – Dispõe sobre a produção, circulação e comercialização do vinho e derivados da uva e do vinho, e outras providências.
Lei de Bebidas – Lei n. 8.918/1994 – dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.

Publicado por

Nastacia e Benta

Tia Nastácia com habilidades mágicas na cozinha, uma profunda conhecedora dos sabores e das tradições populares do Brasil , frita bolinhos de chuva, assa biscoitos, cozinha lentamente a geleia feita com as jabuticabas plantadas no quintal. Foi de suas mãos que surgiu a a irreverente, tagarela e espevitada boneca de macela Emília. Já D.Benta é uma mulher idosa, avó de Narizinho e Pedrinho. Dona do Sítio do Pica-Pau Amarelo, ela se diverte muito com os conflitos das tramas infantis. Muito sabida, sempre ensinando coisas novas aos netos e informando-os sobre a cultura do Brasil e do mundo.

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