Tia Nastácia

Tia Nastácia é uma personagem da obra de Monteiro Lobato.nastacia

Monteiro Lobato criou Tia Nastácia com habilidades mágicas na cozinha. Ela é uma profunda conhecedora dos sabores e das tradições populares do Brasil. Para Narizinho e Pedrinho, frita bolinhos de chuva, assa biscoitos, cozinha lentamente a geléia feita com as jabuticabas plantadas no quintal. Foi de suas mãos que surgiu a boneca Emília, a irreverente, tagarela e espevitada boneca de macela, aquela que diz que a única razão que conhece para se tornar humana é comer a gemada preparada pela cozinheira: “É amarelinha e parece aveludada”, explica a boneca.
Quando vivo, Monteiro Lobato disse ao jornalista Silveira Peixoto,em entrevista para a Gazeta-Magazine em 1943, que a personagem de seus livros foi inspirada em uma mulher chamada Anastácia, que trabalhava em sua casa como cozinheira, e babá de seus filhos. A “Anastácia real” é descrita como uma negra alta, magra, de canelas e punhos finos, um personagem com características mais próximas da realidade das trabalhadoras negras, mas que não deixa de ser um retrato lamentável de sua condição na sociedade.
Nas antigas casas de fazenda, como em muitas nas cidades, era comum a figura da velha matrona negra, solteirona, solícita e de pouca instrução.
A figura de Tia Nastácia na maioria das ilustrações dos livros de Lobato, lembra um pouco um antigo estereótipo conhecido nos Estados Unidos como “Mammy” hoje em dia considerado racista, geralmente representado por uma mulher gorda de pele escura, vestindo um avental com um lenço na cabeça, que normalmente é uma empregada doméstica, cozinheira, costureira ou enfermeira. Este estereótipo aparece em alguns desenhos animados antigos, como em um desenho da Disney de 1935 chamado “Os Três Gatinhos Orfãos” (Three Orphan Kittens), nos clássicos desenhos de Tom e Jerry dos anos 40 e peças publicitárias da época.

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A Tia Nastácia é essencial na obra do Lobato. É quem transmite o conhecimento popular, quem dá acolhimento e aconchego — explica Márcia Camargo, pesquisadora e biógrafa do escritor. — Sua comida é o elemento de sustentação, como um fio condutor dessas histórias infantis. Juntas, ela e Dona Benta são as líderes da república matriarcal que é o sítio, algo raro no início do século XX. A prova do talento culinário de Tia Nastácia está na sua capacidade de transformar pratos corriqueiros em pequenas maravilhas. O café quentinho com o bolo de fubá macio que são oferecidos às visitas no sítio, e sempre elogiados. A cocada, em três cores: branco, queimado e um inusitado cor-de-rosa. Ou, mais uma vez, os bolinhos de chuva, que ela fritou até mesmo para São Jorge (e ele adorou) quando visitou a Lua no livro “Viagem ao céu”.
Como toda grande cozinheira, Tia Nastácia também gosta de experimentar. Em “Geografia de Dona Benta”, os moradores do sítio decidem fazer uma viagem de volta ao mundo. No percurso, ela recolhe novos ingredientes para testar em sua cozinha: azeite de dendê na Bahia, peixes-voadores nas Antilhas, broto de bambu na China, frutas no Nordeste e na Amazônia. Tia Nastácia, veja só, foi precursora de Alex Atala e Roland Villard.
A dimensão mágica da comida, tão importante na infância, era dada por ela.
No conto “O Minotauro”, Tia Nastácia está na Ilha de Creta. É refém da criatura mítica, com corpo de homem e cabeça de touro, que habita o Labirinto do rei Minos. O feroz Minotauro devorava seres humanos para sobreviver, mas desiste ao experimentar um bolinho de chuva preparado pela cozinheira. Ele poupa a vida de Tia Nastácia, que é salva por Pedrinho.

O talento culinário derrota a fera.

Foram referência para este post os seguintes textos:

www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/sitiodopicapau/tianast.html

www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/…/donabent.html

www.memoriaviva.com.br/mlobato/turma.htm

http://oglobo.globo.com/gastronomia/no-mes-das-criancas-analisamos-cozinha-das-obras-de-monteiro-lobato