Colher de Pau

Sobre a Colher de Pau
Colher de pau (também conhecido por colher de madeira) é um instrumento culinário, espécie de colher usada para mexer alimentos que se cozem, temperos, bebidas, sopas etc.

Aspectos Históricos
Segundo o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, a colher de pau era um dos objetos utilizados na culinária dos povos indígenas, que eram desconhecidos pelos europeus, assim como as panelas de barro, os pilões, cuias e outros.
Para Curt Nimuendajú, nascido Curt Unckel, ele que foi um etnólogo de origem alemã que percorreu o Brasil em meio aos índios por mais de quarenta anos, ao escrever um artigo em 1929, afirmou que os índios Ticunas haviam incorporado a colher de pau justamente por influência europeia, assim como as roupas, armas e outros objetos, para os quais não possuíam uma palavra própria para designá-los. Contudo, o mito da gênese dos Uaianas revela que a colher de pau estava presente desde o início, em vários formatos.
A partir de 1945 houve uma progressiva utilização do plástico em substituição aos utensílios feitos originalmente com matéria-prima natural, embora muitos chefes de cozinha tenham oferecido certa resistência em substituir a colher de pau.

Para que servem
Colheres de pau são um dos itens mais práticos de uma cozinha; elas são próprias para misturar e bater e geralmente são ótimas escolhas para o uso em superfícies não aderentes. Elas não conduzem calor, o que as torna perfeitas para mexer comidas quentes.
Use sua colher de pau para diversas tarefas na cozinha, tais como:
-misturar comidas quentes como risoto, sopas, caldos, temperos
-em panelas e frigideiras anti-aderentes,
-para misturar e bater bolos e outras massas em tigelas fundas para mistura.

Como escolher e cuidar
Aqui vão algumas dicas para escolher estes utensílios e cuidar deles.
Escolha da colher de pau: quando escolher sua colher de pau, sempre procure por uma feita de madeira de lei. Estes modelos são mais resistentes e duráveis do que as de pinho ou de madeiras macias. Colheres de pau que não são de madeira de lei racharão, quebrarão e podem absorver aromas e umidade com muita facilidade. Se você não tiver certeza do que a colher de pau é feita, pergunte.
Considere dar suporte a artesãos locais que façam este tipo de colher (compre deles); com certeza eles usarão madeira de qualidade, o acabamento será mais bem feito do que nas industrializadas e você estará contribuindo para manter o artesanato vivo.
Mantenha a colher de pau limpa: a melhor maneira de se lavar este utensílio é imediatamente após seu uso, usando água morna com sabão. Não use esponjas abrasivas de limpeza, apenas macias. Deixe a colher de pau de pé para secar ao vento. Elas devem estar completamente secas antes de serem guardadas.
Como guardar: guarde as colheres de pau de maneira aprcolheresopriada para preservar a aparência e vida útil delas. Você pode deixá-las na gaveta, de preferência com outros utensílios de madeira ou macios. Evite guardar com objetos metálicos, pois eles podem marcar a madeira. De modo alternativo, guarde a colher de pé em um pote ou gancho de utensílios, isso pode inclusive ser objeto de decoração para sua cozinha.

Higiene alimentar e Normas da Anvisa
Estudos microbiológicos dão conta de que utensílios de madeira na cozinha (rolos de abrir massas, tábuas e colheres) favorecem a instalação de bactérias e sua higienização tem que ser cuidadosa, uma vez que a madeira conserva umidade. Segundo especialistas, mesmo com uma boa higienização, estas bactérias (resistentes) se mantém no utensílio e, na próxima utilização estes microrganismos irão se misturar ao alimento, contaminando o mesmo. Diante deste fato, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) criou na Resolução RDC 216/04, a Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação, que deve ser seguida pelos estabelecimentos que atuam fornecendo alimentação (restaurantes, lanchonetes, cozinhas industriais, etc).
Encontramos diversas opiniões em blogs, livros, revistas sobre cozinha, quanto aos malefícios do uso da colher de pau. É fato que os utensílios de madeira juntam fungos por serem porosos, e etc.
Mas apesar de mal falada, a colher de pau presente na cozinha de muitas famílias, bem antes de nós nascermos, era usada pelas ancestrais bisavós, avós e mães para preparar vários alimentos deliciosos: molhos, doces caseiros, sopas, arroz, polenta, e outros tantos.
Atualmente, muitos cozinheiros e cozinheiras tentam usar colheres de plásticos, silicone dentre outros tipos mais politicamente corretos. Mas, também conclui-se, com o uso, que as de plásticos são muito leves, entortam porque são moles e difíceis de manusear, as de metal riscam as panelas, e estragam a proteção das antiaderentes.
Com a possibilidade dos alimentos serem contaminados pelos materiais de madeira, uma boa sugestão é trocar os utensílios de madeira por utensílios feitos de bambu.
Em uma época onde se fala tanto em sustentabilidade, podemos dizer que o bambu é um material 100% ecológico, uma vez que ele é renovável, não poluente e auto-sustentável, o que pouparia o corte de muitas árvores. Cada vez que um bambu é cortado, imediatamente um novo broto nasce e em 4 anos já poderá ser utilizado. Como suas fibras não apresentam poros, não há acúmulo de resíduos e, pelo baixo atrito, não permite que partículas de metal se soltem das panelas enquanto mexe o alimento, sem falar da grande durabilidade do produto. Os utensílios confeccionados com bambu são de fácil manuseio, por serem leves. E sendo um objeto barato e de fácil substituição, esta providência evitaria riscos à saúde.

As opiniões são muitas, mas, de fato, não se sabe sobre notícia de problemas de contaminação alimentar por uso da colher de pau.

 

Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Colher_de_pau
http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/o-manifesto-colher-de-pau-e-seu-porque-8586.html
http://pt.wikihow.com/Escolher-e-Cuidar-de-uma-Colher-de-Pau
http://www.fbssan.org.br/manifesto-colher-de-pau
www.portaleducacao.com.br/nutricao/artigos/18931/troque-sua-colher-de-pau-por-colher-de-bambu

Tia Nastácia

Tia Nastácia é uma personagem da obra de Monteiro Lobato.nastacia

Monteiro Lobato criou Tia Nastácia com habilidades mágicas na cozinha. Ela é uma profunda conhecedora dos sabores e das tradições populares do Brasil. Para Narizinho e Pedrinho, frita bolinhos de chuva, assa biscoitos, cozinha lentamente a geléia feita com as jabuticabas plantadas no quintal. Foi de suas mãos que surgiu a boneca Emília, a irreverente, tagarela e espevitada boneca de macela, aquela que diz que a única razão que conhece para se tornar humana é comer a gemada preparada pela cozinheira: “É amarelinha e parece aveludada”, explica a boneca.
Quando vivo, Monteiro Lobato disse ao jornalista Silveira Peixoto,em entrevista para a Gazeta-Magazine em 1943, que a personagem de seus livros foi inspirada em uma mulher chamada Anastácia, que trabalhava em sua casa como cozinheira, e babá de seus filhos. A “Anastácia real” é descrita como uma negra alta, magra, de canelas e punhos finos, um personagem com características mais próximas da realidade das trabalhadoras negras, mas que não deixa de ser um retrato lamentável de sua condição na sociedade.
Nas antigas casas de fazenda, como em muitas nas cidades, era comum a figura da velha matrona negra, solteirona, solícita e de pouca instrução.
A figura de Tia Nastácia na maioria das ilustrações dos livros de Lobato, lembra um pouco um antigo estereótipo conhecido nos Estados Unidos como “Mammy” hoje em dia considerado racista, geralmente representado por uma mulher gorda de pele escura, vestindo um avental com um lenço na cabeça, que normalmente é uma empregada doméstica, cozinheira, costureira ou enfermeira. Este estereótipo aparece em alguns desenhos animados antigos, como em um desenho da Disney de 1935 chamado “Os Três Gatinhos Orfãos” (Three Orphan Kittens), nos clássicos desenhos de Tom e Jerry dos anos 40 e peças publicitárias da época.

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A Tia Nastácia é essencial na obra do Lobato. É quem transmite o conhecimento popular, quem dá acolhimento e aconchego — explica Márcia Camargo, pesquisadora e biógrafa do escritor. — Sua comida é o elemento de sustentação, como um fio condutor dessas histórias infantis. Juntas, ela e Dona Benta são as líderes da república matriarcal que é o sítio, algo raro no início do século XX. A prova do talento culinário de Tia Nastácia está na sua capacidade de transformar pratos corriqueiros em pequenas maravilhas. O café quentinho com o bolo de fubá macio que são oferecidos às visitas no sítio, e sempre elogiados. A cocada, em três cores: branco, queimado e um inusitado cor-de-rosa. Ou, mais uma vez, os bolinhos de chuva, que ela fritou até mesmo para São Jorge (e ele adorou) quando visitou a Lua no livro “Viagem ao céu”.
Como toda grande cozinheira, Tia Nastácia também gosta de experimentar. Em “Geografia de Dona Benta”, os moradores do sítio decidem fazer uma viagem de volta ao mundo. No percurso, ela recolhe novos ingredientes para testar em sua cozinha: azeite de dendê na Bahia, peixes-voadores nas Antilhas, broto de bambu na China, frutas no Nordeste e na Amazônia. Tia Nastácia, veja só, foi precursora de Alex Atala e Roland Villard.
A dimensão mágica da comida, tão importante na infância, era dada por ela.
No conto “O Minotauro”, Tia Nastácia está na Ilha de Creta. É refém da criatura mítica, com corpo de homem e cabeça de touro, que habita o Labirinto do rei Minos. O feroz Minotauro devorava seres humanos para sobreviver, mas desiste ao experimentar um bolinho de chuva preparado pela cozinheira. Ele poupa a vida de Tia Nastácia, que é salva por Pedrinho.

O talento culinário derrota a fera.

Foram referência para este post os seguintes textos:

www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/sitiodopicapau/tianast.html

www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/…/donabent.html

www.memoriaviva.com.br/mlobato/turma.htm

http://oglobo.globo.com/gastronomia/no-mes-das-criancas-analisamos-cozinha-das-obras-de-monteiro-lobato